A internet e o Coronavírus

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Blog Aliado / Blog do Diego

A internet e o Coronavírus

Em tempos de Coronavírus (COVID-19) ter uma plataforma tecnológica atualizada pode ser uma grande vantagem da internet

          Os dias estão difíceis. Medos que outros sentiam e que nos pareciam distantes no tempo, como a gripe espanhola, ou no espaço, como o ebola, agora rondam nossas portas.

          De repente, um aperto de mão do parceiro de trabalho ou um beijo no rosto de uma colega podem colocar você e seus entes queridos em perigo. Distância é a palavra do momento.

          Para indústrias e comércio é um caos e não há muito o que se fazer. O chão da fábrica está lá e não vai mudar de lugar, as pessoas precisam se deslocar até ele para produzir. O mesmo vale para as lojas, ainda que o comércio virtual possa amenizar os prejuízos.

          No entanto, para uma parte do setor de serviços e alguns departamentos das empresas é possível manter as coisas operando mesmo à distância, todavia isto não é trivial.

          Vimos uma correria nestes últimos dias. Às pressas, tivemos que transformar nossos escritórios físicos em virtuais, por causa do Coronavírus. Dezenas, centenas ou até milhares de colaboradores precariamente pendurados em VPN’s e conexões remotas subdimensionadas tentam continuar suas atividades diárias, tudo isto através da Internet.

          Há duas décadas não haveria escapatória nem para estes. Quase ninguém dispunha de Internet em casa. Os que tinham lidavam com velocidades de conexão extremamente baixas. Hoje a maioria deste público (profissionais daquelas empresas e departamentos) possuem conexões rápidas em seus celulares. Suas casas então, possuem conexões de alta velocidade que permitem ver vídeos em tempo real (algo que era inimaginável a pouco mais de uma década atrás).

          Porém, muitas companhias ainda utilizam softwares de 20 anos atrás. O SAP GUI, por exemplo, utilizando seu conceito de UI baseado em “DynPro” é basicamente o mesmo desde 1998. Mesmo assim, já na época trazia melhorias como atualização por área (quando uma parte da tela era alterada, somente aquele setor era redesenhado, diminuindo a carga de dados que precisava transitar entre o servidor e a máquina do usuário) justamente para lidar com as parcas velocidades de conexão existentes.

          O SAP ainda foi desenhado para trabalhar remotamente, mas e a outra dúzia de softwares que seu colaborador precisa em sua estação? Eles vão funcionar “fora da rede corporativa”? Seu funcionário levou o notebook? Ele tem um notebook para levar? Se não tem, o que ele precisa instalar em seu computador pessoal? Ele consegue fazer isto sozinho?

          Mesmo que ele tenha um computador totalmente pronto e com tudo instalado, a verdade é que para qualquer um destes softwares funcionar através da internet é uma funcionalidade adicional. Pode ser que funcione ou pode ser que uma camada de compatibilização seja necessária (como uma VPN ou um terminal remoto), mas nunca funcionarão nativamente. Eles simplesmente não foram desenhados para isto.

          Mais recentemente as empresas vêm percebendo que quanto mais padrão o seu ambiente menos problemas elas vão ter. Isto também vale para o seu parque de softwares operacionais. Mas, qual o padrão para sistemas que funcionam via Internet? A resposta é simples: navegadores web.

          A internet nasceu como uma plataforma de conteúdo e não de operações. Sua principal função era permitir que a informação fosse tornada pública. Acadêmicos queriam dividir seus estudos e descobertas entre si e assim publicavam seus trabalhos e os tornavam disponíveis a quem quisesse ler. As interações eram em uma única direção: do publicador para o leitor.

        Internet, Coronavírus e HomeOffice Isto nada tem a ver com as necessidades corporativas dos sistemas de informação. Estes sistemas precisam ser alimentados com dados para serem úteis. Temos uma via de mão dupla, com interações de ambos os lados (usuário e sistema). Esta é a principal razão pela qual eu acreditava, no começo, que um software corporativo jamais seria bom se fosse desenvolvido para funcionar em navegador de Internet. Eu estava errado!

           Não que eu não visse o valor da Internet. Pelo contrário, para mim era óbvio que as relações Customer To Businness e mesmo as Business To Business seriam muito melhores funcionando nativamente na Web, isto eu tinha certeza. Mas a tecnologia ainda estava iniciando e digitar uma nota fiscal ou um movimento de estoque (e isto tinha que ser feito às centenas) simplesmente era horrível para um usuário fazer em navegador. Era muito lento, cheio de “refreshs” e o código-fonte para o lançamento de uma nota fiscal (baixando estoque, lançando na contabilidade, atualizando as contas à pagar, etc) poderia ser maior do que o código-fonte do computador de bordo da Apolo 11 (https://github.com/chrislgarry/Apollo-11).

          Acontece que a tecnologia de navegadores e os sistemas que funcionam sobre estes evoluíram muito rapidamente. Hoje a interação que pode ser proporcionada ao usuário em um navegador Web é tão boa (muitas vezes melhor) do que a de um software nativo para Windows ou multiplataforma. A SAP, que citamos no começo do texto, já foi nesse sentido. E não com uma simples conversão (“port”) de uma tecnologia existente (como ela já havia tentado com o WebDynPro), mas com a total reescrita do software utilizando uma nova base: uma base Web.

          Companhias que utilizam o SAP S4 não tiveram muitos problemas para manter seus funcionários trabalhando de casa. No máximo tiveram que abrir um acesso público para seus servidores. Os que utilizam a modalidade Cloud nem disso precisaram.

      Clientes de soluções como o Tax4B e Onesource Tax One, da Thomson Reuters, também puderam se adaptar mais facilmente ao cenário de trabalho remoto. Tais ferramentas foram desenhadas especialmente para esta utilização. Alguns ajustes de infraestrutura podem ter sido necessários, mas eram todos centralizados e de fácil implementação.

          Para os demais, o caminho foi mais acidentado, para muitos ainda será assim por um tempo. A tecnologia dos softwares destes menos afortunados não está pronta para nossa condição. Teremos agora algumas semanas (ou talvez meses) pela frente desta nova realidade. Os que tinham sistemas modernos sofreram e sofrerão menos. Por isso, é importante que em tempo de bonança busquemos sempre não ficar defasados tecnologicamente. As dificuldades virão uma hora ou outra. Se não foi possível estar preparado agora, com certeza precisamos estar para a próxima.